sábado, 6 de novembro de 2010

Novas técnicas de cirurgia plástica


Em um mundo em que a beleza está cada vez mais pasteurizada — lábios à la Angelina Jolie, seios à Gisele Bündchen… —, preservar a identidade, fazendo ajustes quando necessário, é a maneira mais sensata para ficar e se sentir bonita. Melhorar sempre, mas sem correr riscos. O portal da Nova mostra as novidades mais bacanas do XI Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica para quem está pensando em recorrer aos retoques.
Lipo legal

A nova cânula descartável vem com uma promessa e tanto: eliminar o risco de contaminação por bactérias durante a cirurgia, pois as danadas dificultam a cicatrização, podem causar depressões na pele e exigem tratamento com infectologista. “A cânula tradicional, feita de ferro, pode armazenar resíduos mesmo após esterilizada”, explica o cirurgião plástico e inventor da novidade, Ewaldo Bolívar, de Santos (SP). “Isso favorece a proliferação de microorganismos, que acabam sendo injetados no corpo junto com a gordura numa lipoenxertia.” E é preciso mesmo ter cuidado: entre 2000 e 2008 foram registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mais de 2 mil casos de infecção por bactérias em cirurgias invasivas. Outra vantagem é o fato de ele ser menos rígido, por ser feito de aço inox revestido de silicone. “Com isso as chances de romper vasos, causar hematomas e perfurar órgãos é menor”, acrescenta o médico, presidente da comissão de ciência e segurança de cirurgia plástica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A cânula descartável está em fase final de aprovação pela Anvisa.

Lábios lisos

O tempo e a gravidade não poupam nem os músculos da boca — à medida que eles enfraquecem, a pele da região fica flácida e surgem rugas verticais, que podem aparecer bem cedo em quem fuma, exagera nas expressões ou na exposição ao sol. Para suavizar esses vincos, o cirurgião plástico colombiano Enzo Citarella desenvolveu uma técnica simples e eficiente: ele faz um corte de 2 milímetros de comprimento no arco do cupido (a curvinha central do lábio superior) para, com uma microtesoura, dar um talho na musculatura da região. “Dessa forma há uma diminuição da contração quando a pessoa fala e, consequentemente, forma menos linhas de expressão e não intensifica as que já existem”, conta o expert, que é professor assistente do Instituto Ivo Pitanguy, no Rio de Janeiro. Batizada de miotomia múltipla do músculo orbicular, a cirurgia não deixa cicatriz porque o corte é feito exatamente no contorno do lábio e leva apenas um ponto, retirado após dois dias, quando não há mais inchaço. Logo depois da operação, realizada no hospital com anestesia local, é permitido falar, comer preferencialmente comida gelada e dar selinhos. Já um beijo apaixonado, só após três dias.

Nariz de ponta

A técnica batizada de rinodinâmica para o nariz de ponta é a solução para o problema. “Basta aplicar anestesia local e fazer um microcorte no feixe central para ‘descolar’ a musculatura e evitar que ela repuxe o nariz e a boca”, diz o pai da invenção, o dr. Ewaldo Bolívar. Quinze minutos e dez pontos na mucosa depois você pode ir para casa. Apesar de simples, o procedimento deve ser realizado em hospital. O curativo é retirado em uma semana, período em que você deverá segurar o riso — as gargalhadas são liberadas depois de 15 dias e o beijo, de dez. O inchaço desaparece no segundo dia, quando dá para voltar a comer alimentos sólidos. A técnica ainda pode ser usada para corrigir narinas abertas, conhecidas como nariz negroide. “O segredo é costurar a parte de cima do músculo no centro dele para, automaticamente, dar uma fechadinha nas asas nasais”, completa o especialista.

Preenchimento do futuro

A proposta de usar células-tronco na cirurgia plástica é ousada: elas serviriam como preenchedor para recuperar o volume do rosto ou aumentar as mamas, por exemplo. Tudo porque esse curinga tem o potencial de se transformar no tecido em que foi injetado, sem corte, cicatriz ou uso de materiais sintéticos. Porém, a técnica ainda não pode ser realizada em humanos nem tem data para ser liberada. “Já sabemos que essas conquistas são possíveis, mas o procedimento não está sendo praticado porque os cientistas não sabem como fazer as células pararem de se reproduzir, o que poderia virar um tumor”, explica o cirurgião plástico Ithamar Stocchero, de São Paulo, que pesquisa há sete anos o uso dessa tecnologia para o aumento dos seios. Por isso, fique atenta com algumas ofertas que já estão circulando no mercado, como a de que é possível separar as suas células-tronco em cerca de três horas, dentro do centro cirúrgico. O processo, complicado e nada barato, inclui o envio do material da paciente em um kit específico a um laboratório especializado. “Feito isso, é preciso esperar 45 dias para que as células-tronco sejam marcadas, se reproduzam como a célula de origem e sejam devolvidas em ampolas em uma quantidade suficiente para um preenchimento de rosto, por exemplo”, descreve o dr. Stocchero, que é presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Tecidos e Estudo de Células-Tronco (Abraton). A promessa é ótima, mas ainda é promessa.

Silicone

Pela primeira vez a cirurgia para o aumento das mamas superou o número de lipoaspirações: foram 96 mil contra 91 mil casos, segundo pesquisa Datafolha/Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de 2009. Mas a brasileira não está limitando aos seios a colocação do silicone. Agora turbinam bumbum, bíceps, panturrilhas e sabe-se lá mais o quê. “O que nos preocupa é a procura desenfreada por um visual que foge ao natural”, diz a cirurgiã plástica Wanda Corrêa, do Rio de Janeiro, coordenadora da comissão de silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo ela, há mulheres que decidem colocar o implante para que os seios não se mexam enquanto caminham ou não achatem ao deitar-se! Outras substituem a musculação pela prótese nos braços e pernas na ânsia de ficar saradas para ontem. “Verdade que vivemos um momento em que tudo é muito rápido: e-mail, celular, Twitter. Mas imprimir essa velocidade para mudar o corpo pode colocar a saúde em risco”, fala. Cirurgia não é brincadeira. Inclui anestesia, cortes, perda de sangue e até resultados aquém do esperado. Além disso, é bom saber que todo implante inclui exames constantes para analisar sua integridade e a possibilidade de troca devido ao desgaste pela ação do tempo e da gravidade.



Fonte: Nova
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